Juçara

A Juçara é uma palmeira que reexiste historicamente, principalmente, na Mata Atlântica. Seu nome tem origem tupi e significa “o que dá farpas ou lascas”. Em outras regiões do Brasil ela recebe os nomes de içara, palmito-doce, palmito-juçara, palmiteiro, ensarova, ripeira, etc. Botanicamente, foi atribuída a nomenclatura Euterpe edulis para a espécie.

Para além da sua importância ambiental, a juçara tem vínculos históricos com diversos modos de vida de humanos que habitam os sistemas ecológicos que ela reexiste. Povos indígenas como os Guarani Nhandeva, Quilombolas e Comunidades Caiçaras construíram fortes laços de ajuda mútua com a espécie. Alimentação dos frutos in natura e sua polpa, utilização de seus troncos e folhas na construção de moradia e espaços religiosos e uso medicinal (chá de suas raízes são usados como vermífugo) são exemplos de relação humana com a juçara. Por outro lado, o saber destes grupos sobre o manejo, locais adequados para a semeadura e dispersão das sementes, contribuiu para a multiplicação juçara. Ou seja, a juçara é uma espécie chave, especialmente, para os sistemas ecológicos e grupos humanos que historicamente compõem a Mata Atlântica.

Quilombolas, assentados da reforma agrária e agricultores familiares que optaram pela agroecologia e pelos sistemas agroflorestais, são exemplos de possibilidades de restauração e manejo desta espécie partindo dos saberes historicamente construídos entre comunidades humanas.